Artigo
Titulo:Clichês
Autor(a): Arenildo dos Santos (Professor e diretor do Curso PLA)
Data Postagem: 15/11/2009
Vivemos uma época curiosa, traduzida por clichês do tipo: "a Informática encurta o tempo e a distância." E não há dúvida, pois é inegável a velocidade com que hoje uma mensagem pode chegar ao destinatário, independentemente dos quilômetros que separam o emissor do receptor. Mas nem tudo são flores. Em se tratanto do idioma, o Português cotidiano está cada vez mais distante do Português normativo.
A concisão e a informalidade são alegadas pelos usuários dos chamados correios eletrônicos, para justificarem uma linguagem enxuta e, por vezes, exageradamente inapropriada. O lema "O importante é haver comunicação." vem ao encontro dessa alegação. Não é difícil encontrarmos em e-mails (WEB) ou em torpedos (mensagens via celulares) expressões como "pq" (que tem a função de "curinga", pois substitui, indistintamente, "por que", "por quê", "porque", "porquê"). "mt" (muito), "tb" (também ou tudo bem), "vc" (você), "koeh" (qual é), "naum" (não), "t" (ter), "q" (que) "aki" (aqui), "eh" (é), "s carru" (sem carro), "bjinhux" (beijinho), "tamu" (estamos) e tantas outras. Os exemplos arrolados mostram como é difícil aceitar as tradicionais alegações. Nem sempre a grafia praticada pelo usuário é mais concisa do que a grafia oficial; além disso, nem sempre as abreviações são padronizadas, isto é, fica mais ou menos assim: escrevo como achar melhor na hora. Espécie de carnaval lingüístico.
Se você é candidato a algum concurso público, mantenha-se vigilante. Essa linguagem enxuta tem contaminado um número cada vez maior de pessoas, pois mascara o desconhecimento, criando uma enorme rede de cumplicidade. Não se iluda, candidato, pois a realidade é esta: o português das provas é o oficial, é o normativo, e não o praticado no cotidiano da WEB. Para as bancas, pouco importa que você use o "pq", por exemplo. A elas interessa que você saiba grafar, devidamente, "por que", "por quê", "porquê" ou "porque". E isso exige o reconhecimento de classes gramaticais e de função contextual.
Tudo isso, aliado a inúmeros outros fatos sociais que nos separam do português oficial, deixa óbvio o seguinte: se você quer de fato ter um bom desempenho na prova de Língua Portuguesa, em qualquer concurso público, é preciso que não pare de treinar. Noutras palavras, não basta a você decorar regras ou mesmo entendê-las. É preciso que as treine, para que não caiam no esquecimento. Nesse contexto, é extremamente importante a sala de aula, a feitura de exercícios, a resolução de provas anteriores e recentes, o diálogo com os professores.
Até breve.


